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Recurso clínico

Zolpidem: superdosagem e outros riscos

Conhecer os sinais de uma overdose de zolpidem pode ajudar as pessoas e os entes queridos a saber quando é hora de chamar o tratamento médico de emergência.

Revisado clinicamente porDra. Sarah Boss, MD
Residência de pedra com piscina, relvado e palmeiras

Resumo rápido

  • A superdosagem de zolpidem pode causar sonolência, confusão, alucinações, inconsciência, pressão baixa e redução ou parada da respiração.
  • Desmaio, ausência de resposta ou dificuldade respiratória após uso de zolpidem exigem atendimento médico imediato, sem provocar vômito ou oferecer substâncias.
  • Álcool, opioides e outros sedativos podem intensificar a depressão do sistema nervoso central e aumentar o risco de reações graves e overdose.

Não obstante sua reputação de um auxílio relativamente seguro para dormir, o uso do zolpidem vem sendo associado a certos efeitos potencialmente adversos (1), sendo certo que as mulheres têm mais probabilidade de apresentar reações adversas ao zolpidem do que os homens (2). Têm mais de 45 anos de idade a maior parte dos pacientes que apresentam problemas com zolpidem. 

Leia também: Vício em Zolpidem

Embora os médicos possuam orientações para prescrever zolpidem na metade da dose normal para pacientes idosos, as doses completas do medicamento estão sendo aplicadas em inúmeros pacientes com mais de 65 anos (3). 

Podem ocorrer problemas médicos graves se os pacientes combinarem álcool ou outros medicamentos com zolpidem (4). Cerca de 50% dos casos de emergência relacionados ao zolpidem envolvem outros medicamentos, incluindo analgésicos opióides, medicamentos ansiolíticos e outros medicamentos sedativos e hipnóticos.

Zolpidem é uma droga potente que pode resultar em overdose, especialmente entre pessoas que fazem uso indevido do medicamento e desconhecem os efeitos colaterais da droga (5). Além disso, certos pacientes que receberam prescrição de zolpidem podem ter sido não ter sido aconselhados a não combinar o medicamento com outras drogas ou álcool.

Conhecer os sinais de uma overdose de zolpidem pode ajudar as pessoas e os entes queridos a saber quando é hora de chamar o tratamento médico de emergência.

Superdosagem: sintomas

Os sinais e sintomas de overdose de zolpidem podem incluir:

  • ritmo cardíaco lento;
  • sonolência;
  • inconsciência;
  • confusão;
  • alucinações;
  • respiração lenta ou parada;
  • pressão arterial baixa.

Se alguém tiver desmaiado, parado de respirar ou não estiver respondendo após tomar uma dose alta de zolpidem sozinho ou com outros medicamentos, procure atendimento médico imediatamente, chame ajuda médica de emergência ou leve o paciente a um centro de atendimento de emergência.

Quando a ajuda estiver a caminho, você poderá cuidar da pessoa. Se você presenciar uma suspeita de overdose de zolpidem, você deve:

  • Certificar-se de que suas vias aéreas estejam desobstruídas;
  • Remover qualquer objeto que se encontre em volta do pescoço da pessoa, como um colar ou uma gravata, assegurando-se de que consegue respirar.
  • Checar por descoloração (tonalidade azulada) nas pontas dos dedos ou nos lábios, monitorizando a sua respiração e não administrando nada que provoque vômito.

Quando o paciente estiver sob os cuidados de profissionais médicos, ele será monitorado quanto à respiração, circulação e função cardíaca adequadas. Os profissionais médicos não costumam usar flumazenil (um medicamento usado para o tratamento de overdose de benzodiazepínicos) em pacientes que tiveram overdose de zolpidem. Em vez disso, o tratamento usual para uma overdose de zolpidem é a lavagem gástrica (bombeamento do estômago) e o monitoramento rigoroso dos sinais vitais do paciente.

Tanto o zolpidem quanto o álcool atuam nos receptores GABA do cérebro, aumentando os efeitos de ambos os medicamentos. Simultaneamente, as duas drogas também deprimem o sistema nervoso central, que é responsável pelo controle da frequência cardíaca, da função cerebral e da respiração. Quando os dois fármacos atuam conjuntamente, seus efeitos colaterais podem ser amplificados e causar problemas físicos graves. A mistura de zolpidem e álcool pode resultar em problemas graves de saúde, como: 

A conjugação de zolpidem com qualquer outro medicamento também pode ser perigosa, pois aumenta a chance de sofrer aquelas reações adversas. Inúmeros medicamentos interagem com o álcool de algum modo, seja amplificando os efeitos um do outro ou causando efeitos colaterais perigosos quando consumidos em simultâneo.

Os efeitos colaterais da mistura de zolpidem e álcool são aqueles que são comuns em bebedores pesados. As interações perigosas entre substâncias podem também ocorrer quando zolpidem é misturado durante um único episódio de consumo de álcool. Isso ocorre porque o corpo leva várias horas para metabolizar e excretar zolpidem de seu sistema. Por esse motivo se recomenda que as pessoas evitem beber completamente quando estiverem cumprindo tratamento com zolpidem.

Além dos efeitos prejudiciais de curto prazo do abuso de zolpidem, podem surgir vários problemas de longo prazo. A combinação de álcool com zolpidem pode causar danos ao fígado, aos rins, ao cérebro, ao coração e ao pâncreas. Zolpidem pode adulterar o comportamento e as capacidades cognitivas, causando, por exemplo, o aumento da agressividade e da irritabilidade em alguns usuários.

Os problemas associados ao abuso simultâneo de álcool e zolpidem incluem:

  • Câncer de fígado;
  • Cirrose;
  • Hepatite alcoólica;
  • Coração aumentado e enfraquecido;
  • Batimentos cardíacos irregulares;
  • Acidente vascular cerebral (AVC);
  • Comportamento agressivo;
  • Confusão;
  • Alucinações;
  • Parada respiratória;
  • Coma;
  • Morte.

As doses de zolpidem prescritas por médicos encontram-se na faixa de 5 a 10 mg. Quando o paciente vai para lá dessa dosagem, aumenta exponencialmente o perigo de consequências adversas. Muitos usuários recreativos relataram a ingestão de doses elevadas, entre os 400 e os 600 mg, o que decerto provoca overdose mas que não é mortal.

Investigadores sugerem que a quantidade letal de zolpidem é de aproximadamente 2000 mg, sendo prudente ressalvar que a letalidade pode ocorrer abaixo da ingestão de tal quantidade. Com 2000 mg, uma pessoa teria que consumir 200 comprimidos de 10 mg, o que pressupõe intencionalidade e não incidente.  

Certas outras práticas inseguras relacionadas ao uso de drogas podem aumentar os riscos de uma overdose, como adulterar o zolpidem e tomá-lo de forma não recomendada e sob um padrão de consumo abusivo, como mastigá-lo, cheirá-lo ou injetá-lo. A redução de tamanho do comprimido inibe qualquer mecanismo de proteção do medicamento, pois a droga entra na corrente sanguínea de forma abrupta e imediata.

Quando o zolpidem é usado em conjunto com outras drogas, principalmente sedativos, analgésicos ou álcool, é mais provável que ocorram overdoses (6). Zolpidem e álcool é uma combinação especialmente perigosa mas comum.

A dose letal de uma droga como o zolpidem não será a mesma para todos. Vários fatores pessoais e biológicos podem afetar a quantidade necessária de uma droga para que ela tenha consequências fatais.

Os fatores que podem afetar a dose letal de zolpidem incluem:

  • idade;
  • metabolismo da droga;
  • função hepática e renal;
  • tolerância à droga;
  • histórico de uso de substâncias;
  • uso de outros medicamentos com zolpidem;
  • composição corporal (como por exemplo, a massa corporal)

A idade avançada, a função renal e hepática prejudicada e o uso de zolpidem com outros medicamentos (incluindo álcool) estão associados a um risco maior de overdose grave de zolpidem (7).

A recomendação é que os médicos que prescrevem o zolpidem apliquem a menor dose eficaz durante o menor tempo possível para tratamento da insônia (9). Essa orientação de dosagem é específica para o zolpidem de liberação imediata, e não para as outras formas de apresentação do medicamento, como o spray oral ou os comprimidos de liberação prolongada.

A dose inicial aconselhada é de 5 ou 10 mg por dia para os homens e 5 mg para as mulheres. A dose máxima de zolpidem é de 10 mg por dia. A dose aconselhável para os idosos ou pacientes com doença hepática é de 5 mg por dia. Podem ser necessárias doses menores de zolpidem para pessoas que estejam tomando outros medicamentos e depressores do sistema nervoso central, como opióides e álcool.

Se a insônia não melhorar com zolpidem após 7 a 10 dias de uso, poderá ser necessário equacionar outras condições psiquiátricas ou fisiológicas causadoras do problema.

O zolpidem geralmente não é recomendado na gravidez porque pouco se sabe sobre seu efeito no bebê (8).

Se você engravidar enquanto estiver tomando zolpidem, fale com seu médico. Ele a ajudará a decidir o que fazer e poderá trocá-la por um medicamento mais adequado para a gravidez.

O zolpidem pode causar sonolência ou sintomas de abstinência, como agitação, em bebês recém-nascidos. Tomar zolpidem no final da gravidez aumenta as chances de seu bebê ter esses problemas. Seu bebê pode precisar ficar no hospital para monitoramento extra por alguns dias após o nascimento.

O método mais seguro de prevenir a overdose de zolpidem é não usar a droga. Porém, em caso de adição, o tratamento da dependência de drogas pode ser benéfico para si ou alguém que conheça. As clínicas de reabilitação em saúde mental direcionadas para tratamento de dependências encontram-se preparadas para uma combinação de terapias que ajudam a superar a dependência. Na sua maioria, oferecem aconselhamento individual, terapias grupais e treino de capacidades para superação da adição ao zolpidem:

  • Um dos tratamentos eficazes é a terapia cognitivo-comportamental, utilizada em centros para tratamento de dependências, com enfoque no autoconhecimento do paciente, dos seus pensamentos e comportamentos nefastos e prejudiciais à saúde, bem como a escolher hábitos de vida saudáveis e tratamentos não farmacológicos; 
  • As entrevistas motivacionais permitem ao paciente identificar seus recursos intrínsecos atinentes à superação do vício;
  • Certas clínicas de tratamento e reabilitação possibilitam visitas de família e amigos ao longo do tratamento, podendo igualmente ser disponibilidade terapia familiar ou de casal.

A clínica de saúde mental The Balance, em Maiorca, Espanha, dispõe da equipe de profissionais de saúde mental que melhor pode ajudar a enfrentar a sua dependência de zolpidem. Aceda às melhores terapias clínicas para tratamento da sua adição e desfrute do equipamento mais exclusivo e discreto que a sua superior exigência lhe pode proporcionar.

Perguntas

Perguntas frequentes

Zolpidem provoca alergia?
O zolpidem pode causar uma reação alérgica grave. Pare de tomar esse medicamento e procure ajuda médica de emergência se tiver sinais de reação alérgica ao zolpidem: urticária, dificuldade para respirar, inchaço da face, lábios, língua ou garganta.
O que evitar fazer após tomar zolpidem?
Evite dirigir ou realizar atividades perigosas até saber como o zolpidem o afetará. Você ainda pode se sentir sonolento pela manhã e suas reações podem ser prejudicadas. Espere até estar totalmente acordado antes de dirigir, operar máquinas, pilotar um avião ou fazer qualquer coisa que exija que você esteja acordado e alerta.
O que acontece em caso de overdose?
Procure atendimento médico de emergência ou contate um centro antiveneno. Uma overdose de zolpidem pode ser fatal, especialmente quando é tomado junto com outros medicamentos que podem causar sonolência.

Evidência editorial

Evidência e fontes

Orientações clínicas selecionadas, pesquisas revisadas por pares e fontes de saúde pública utilizadas neste artigo.

01(1) Garnier, R., Guerault, E., Muzard, D., Azoyan, P., Chaumet-Riffaud, A.-E., & Efthymiou, M.-L. (1994). Acute Zolpidem Poisoning Analysis of 344 Cases. Journal of Toxicology: Clinical Toxicology, 32(4), 391–404.Ver fonte
02(2) Greenblatt DJ, Harmatz JS, Roth T. Zolpidem and Gender: Are Women Really At Risk? J Clin Psychopharmacol. 2019 May/Jun;39(3):189-199.Ver fonte
03(3) Kajiwara A, Yamamura M, Murase M, Koda H, Hirota S, Ishizuka T, Morita K, Oniki K, Saruwatari J, Nakagawa K. Safety analysis of zolpidem in elderly subjects 80 years of age or older: adverse event monitoring in Japanese subjects. Aging Ment Health. 2016;20(6):611-5.Ver fonte
Ver todas as 9 fontesMostrar menos fontes
04(4) Sjöberg C. Apropå! – Faran med zolpidem och alkohol. Lakartidningen. 2016 Mar 31;113:DYRA. Swedish. PMID: 27046763.Ver fonte
05(5) Westermeyer J, Carr TM. Zolpidem-Associated Consequences: An Updated Literature Review With Case Reports. J Nerv Ment Dis. 2020 Jan;208(1):28-32.Ver fonte
06(6) Gock SB, Wong SH, Nuwayhid N, Venuti SE, Kelley PD, Teggatz JR, Jentzen JM. Acute zolpidem overdose–report of two cases. J Anal Toxicol. 1999 Oct;23(6):559-62.Ver fonte
07(7) Lichtenwalner M, Tully R. A fatality involving zolpidem. J Anal Toxicol. 1997 Nov-Dec;21(7):567-9.Ver fonte
08(8) Wang LH, Lin HC, Lin CC, Chen YH, Lin HC. Increased risk of adverse pregnancy outcomes in women receiving zolpidem during pregnancy. Clin Pharmacol Ther. 2010 Sep;88(3):369-74.Ver fonte
09(9) Greenblatt DJ, Roth T. Zolpidem for insomnia. Expert Opin Pharmacother. 2012 Apr;13(6):879-93.Ver fonte
O que está incluído
01

Contexto clínico

Informações claras são apresentadas no contexto de quadros clínicos complexos e concomitantes.

02

Fatores individuais

A avaliação continua essencial, porque as necessidades e os riscos variam de pessoa para pessoa.

03

Próximos passos

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