Neste artigo vamos definir o conceito de bipolaridade e identificar alguns dos sintomas mais comuns desta doença do foro psíquico para que possamos reconhecer pessoas com este síndrome, ou perceber até que ponto nos enquandramos neste perfil.
A bipolaridade é um distúrbio mental que pertence ao leque das perturbações do humor.
De difícil diagnóstico, esta doença pode surgir em qualquer etapa da vida, em qualquer idade ou estrato sócio-cultural.
Tempo de leitura: 10 min
Neste artigo vamos definir o conceito de bipolaridade e identificar alguns dos sintomas mais comuns desta doença do foro psíquico para que possamos reconhecer pessoas com este síndrome, ou perceber até que ponto nos enquandramos neste perfil.
A bipolaridade é um distúrbio mental que pertence ao leque das perturbações do humor. De difícil diagnóstico, esta doença pode surgir em qualquer etapa da vida, em qualquer idade ou estrato sócio-cultural. A OMS diz-nos que hoje a doença bipolar atinge cerca de 140 milhões de pessoas em todo o mundo.
Igualmente importante, é salientar que este transtorno pode ser controlado e amenizado ao longo dos anos com recurso a fármacos específicos, terapia, acompanhamento e uma rotina de vida que atenue a ocorrência de grandes variações de humor.
Sempre que nos dedicamos ao estudo sobre o que é bipolaridade e quais os sintomas associados deparamos-nos com duas frentes de emoções-tipo mais recorrentes: a depressão e a mania. A presença destes sintomas são também a forma mais fácil de identificar alguém com transtorno bipolar por se tornarem transversais à maioria das pessoas diagnosticadas com algum tipo de bipolaridade.
O termo “bipolar” pressupõe algo entre dois polos distintos, dois opostos portanto. Assim, um indivíduo diagnosticado com transtorno bipolar é uma pessoa que facilmente apresenta emoções e reações típicas de “pessoas diametralmente opostas”. É como se num mesmo indivíduo coexistissem duas personalidades distintas, e extremas.
Características da bipolaridade:
Comportamento maníaco
Comportamento depressivo
Autoestima muito elevadaPicos de energiaExcitação impossibilitante de dormirFraca capacidade mentalPrecipitação de pensamentosÂnsia alimentar e/ou sexual e de abuso de substâncias Elevado nível de participação em atividadesIrritabilidade recorrenteFrequente sentimento de polivalência, euforia e desinibição
Fraca autoestimaFalta de energiaExcesso de sono ou incapacidade para dormirFraca capacidade mentalPensamentos depressivos; sobre morte e suicídioAlterações do apetiteIsolamento dos amigosInação frequenteFrequente sentimento de culpa, derrota e inutilidade
O diagnóstico precoce é essencial. Pois muitas vezes o errado diagnóstico (tal como “depressão”) pode levar o indivíduo a sofrer efeitos cada vez mais prejudiciais à sua qualidade de vida, colocando a própria vida em risco devido às frequentes tentativas de suicídio comuns nesta doença.
“As perturbações depressivas na adolescência apresentam altas taxas de recorrência, que persistem na idade adulta, e podem ser a primeira manifestação de Perturbação Bipolar.
Otília Queirós, in “Psicologia e Psiquiatria da Infância e Adolescência”, Lidel.
As causas da doença bipolar são cientificamente desconhecidas. No entanto, foi possível reunir o facto de que cerca de 80 a 90% das pessoas com transtorno bipolar têm um familiar com depressão ou doença bipolar. Para além disso, sabe-se que geralmente a doença inicia por volta dos 15 ou 20 anos.
Assim, podemos e devemos valorizar o fator “ambiente envolvente” tal como a maior exposição ao stress familiar, a falta de sono contínuo e regular, ou ao abuso de drogas e álcool, e suas consequências, para a restante família.
O DSM-5 admite as seguintes perturbações do humor:
Transtorno bipolar tipo I
Transtorno bipolar tipo II
Perturbação ciclotímica
Outros tipos de transtorno bipolar
Quais os sintomas de transtorno bipolar tipo I ?
As pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar do tipo I são pessoas que facilmente apresentam episódios de alteração do humor durante períodos aproximados de uma semana, ou mais. Frequentemente estes episódios terminam em alguma espécie de hospitalização da pessoa por forma a amenizar a exacerbação dos sintomas.
Neste tipo I de bipolaridade também é frequente reconhecer um estado depressivo prolongado em que a pessoa pode inclusivamente representar um risco para si mesma, devido à frequência de pensamentos sobre morte e suicidários.
Quais os sintomas de transtorno bipolar tipo II ?
As pessoas diagnosticadas com transtorno bipolar do tipo II representam uma forma mais “leve” da doença. É comum que os episódios depressivo-maníacos ocorram imediatamente seguidos e são frequentemente de curta duração. Pode inclusivamente confirmar-se a ausência do estado maníaco no indivíduo.
A perturbação ciclotímica do transtorno bipolar e sintomas
As pessoas diagnosticadas com perturbação ciclotímica podem manifestar a presença dos episódios maníaco-depressivos durante anos, embora de menor intensidade. Este tipo de transtorno bipolar é frequentemente detetado na idade infantil-juvenil e neste caso caracteriza-se pela oscilação repentina entre as emoções de alegria e tristeza.
Outros pacientes revelam todos ou apenas alguns sintomas do transtorno bipolar tipo I e do tipo II. No entanto, nenhum dos sintomas aparenta seguir um padrão específico deste síndrome pelo que não consegue ser catalogado como os descritos anteriormente. Por vezes, nestes casos, as oscilações do humor entre hipomania e depressão podem ocorrer em frações de segundos, por momentos, ou muito pontualmente, não sendo suficientemente relevantes para enquadrar a perturbação ciclotímica.
Não existe um tratamento ou cura definitiva para a bipolaridade, pois esta é uma doença crónica. No entanto, um correto acompanhamento do paciente e uma eficaz terapêutica podem ajudar a pessoa a reduzir drasticamente as flutuações de humor por forma a se conseguir coexistir em relativa harmonia com a sociedade.
Qualquer que seja a intervenção medicamentosa, será sempre de longo prazo, por vezes, para o resto da vida. Seguir e aceitar o tratamento torna-se essencial, uma vez que é já conhecida a estatística de que cerca de 10 a 15% das pessoas diagnosticadas com doença bipolar tipo I cometem suicídio.
Farmacologia para tratar bipolaridade
Para além da possível hospitalização em casos mais agressivos, em termos de fármacos administrados, tornou-se frequente o recurso a:
Análises sanguíneas para verificação dos níveis de lítio
Estabilizadores do humor tal como o lítio
Anticonvulsivantes como o valproato e a carbamazepina, e mais recentemente a lamotrigina e a gabapentina
Antidepressivos para as fases depressivas
Antipsicóticos para episódios de alucinações e ilusões
Ansiolíticos
A terapia electroconvulsiva pode igualmente ser aplicada para aliviar a depressão sempre que o paciente (hospitalizado) não responde à medicação. Trata-se de uma breve corrente elétrica que desencadeia uma pequena crise enquanto o paciente estiver anestesiado por forma a poder estabilizá-lo.
Psicoterapia para tratar bipolaridade
Terapia cognitivo-comportamental (TCC) – responsável por ensinar o doente a mudar o seu comportamento psico-somático, isto é, os seus pensamentos e ações mais frequentes e que são desencadeadoras de episódios extremos do humor tal como a depressão e hipomania.
Terapia familiar – A psicoterapia deve envolver toda a família de forma a que a promoção de um ambiente mais saudável seja rápida e duradoura. São incentivadas rotinas de vida saudáveis e hábitos de sono que ajudarão a evitar episódios maníaco-depressivos.
É possível curar definitivamente a bipolaridade?
Não existe cura definitiva para o síndrome de bipolaridade. No entanto, tal como vimos, existem tratamentos e terapias adequadas e direcionadas a cada indivíduo que ajudam a recuperar uma rotina quase normal através da diminuição drástica da ocorrência de episódios.
Tal como se desconhecem causas determinantes desta doença, também se desconhecem os métodos de prevenção para a bipolaridade. Porém, determinados comportamentos revelam-se nefastos ao indivíduo mais susceptível, e propensos à deflagração da doença bipolar.
Métodos de prevenção:
Diagnóstico precoce, em que o técnico de saúde vai analisar o comportamento e humor da pessoa
Recolha do historial clínico do doente, e da sua família
Testes laboratoriais de forma a eliminar a presença de outras doenças (como por exemplo, doenças da tiróide)
A doença bipolar identifica-se pela mudança súbita e frequente de estados de humor. Sem razão aparente, ou indiciado pelo mais leve estímulo, pode desencadear no indivíduo não sujeito a tratamento uma reação exacerbada que muitas vezes desencadeia a necessidade de hospitalização.
O diagnóstico precoce atento às características da bipolaridade é uma das melhores prevenções. Uma observação atenta por parte dos técnicos de saúde e profissionais (professores ou chefes) é por isso essencial. Seguindo-se a necessidade de respeitar o tratamento aconselhado, por ser crucial para a preservação da vida do indivíduo diagnosticado com doença bipolar.
FAQs
Qual a diferença entre transtorno bipolar tipo I e tipo II?
As pessoas com transtorno bipolar tipo I sofrem episódios maníacos completos e prolongados, bem como de depressão acentuada; enquanto que as pessoas com transtorno bipolar tipo II caracterizam-se por períodos de depressão e ausência de períodos de mania (apenas com episódios de hipomania – um tipo de mania mais suave).
Quais as principais variações de humor de uma pessoa bipolar?
As variações de humor do indivíduo diagnosticado com síndrome de bipolaridade podem decorrer de um extremo ao outro dentro do cenário maníaco-depressivo. A saber: u003cbru003eElevada autoestima e falta de autoestimau003cbru003eElevados níveis de energia e a falta de motivação extrema u003cbru003eAusência de sono e excesso de sonou003cbru003eExcesso alimentar e falta de apetite u003cbru003eElevada apetência sexual e ausência de estímulo sexualu003cbru003eEuforia e pensamentos depressivos e suicidários u003cbru003eFrequente irritabilidade e inação frequenteu003cbru003ePensamentos polivalentes e pensamentos derrotistas
Qual o tipo de população mais propensa a desenvolver bipolaridade?
É frequente que este tipo de transtorno seja detetado em idade adolescente. Porém, não existe uma faixa etária específica para que a doença surja, ou seja possível de detetar. De notar que o ambiente envolvente e a história emocional e psíquica da pessoa, bem como de traumas passados, são factores que muitas vezes desencadeiam o surgimento flagrante do transtorno bipolar.
O que pode causar o transtorno bipolar?
Não existe uma causa identificada para o transtorno bipolar. Conhecem-se tendências e apetências para determinados grupos desenvolverem a perturbação bipolar no entanto não foi identificado qualquer denominador comum ao nível do ADN ou propensão hereditária.u003cbru003ePoderemos sim falar da influência que o ambiente em que se desenvolve cada indivíduo tem. Mas muito há ainda para estudar e comprovar nesta matéria. Por enquanto, é apenas possível atenuar e minimizar os seus efeitos de forma a melhorar a qualidade de vida do indivíduo diagnosticado.
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