- A dependência emocional diz respeito a um padrão crónico de exigências afetivas não correspondidas, no qual indivíduos procuram desesperadamente respostas àquelas exigências no contexto dos seus relacionamentos interpessoais.
- Nos últimos anos, o termo vem sendo assim comummente aceite como um traço de personalidade ou padrão de comportamentos de excessiva dependência de terceiros.
- Estes fatores condicionam a pessoa visada pela dependência, levando-a a acomodar os desejos e exigências do parceiro dependente, sentirem um vazio emocional, não terem consciência do problema e sentirem-se amarradas ao relacionamento.
A dependência emocional diz respeito a um padrão crónico de exigências afetivas não correspondidas, no qual indivíduos procuram desesperadamente respostas àquelas exigências no contexto dos seus relacionamentos interpessoais. Nos últimos anos, o termo vem sendo assim comummente aceite como um traço de personalidade ou padrão de comportamentos de excessiva dependência de terceiros.
De acordo com Bution & Muglia-Wechsler (2016), o termo “dependência emocional” tem encontrado outros equivalentes na produção científica, sendo empregues também os termos “dependência interpessoal”, “Transtorno de Personalidade Dependente” (TPD), “dependência amorosa”, “amor patológico”, “amor obsessivo” e “dependência nos relacionamentos”.
A dependência emocional envolve (Lemos et al., 2019) componentes cognitivas, emocionais, motivacionais e comportamentais interdependentes, refletindo todas elas as crenças e estratégias de uma pessoa para lidar com o medo de abandono ou perda de controlo sobre um parceiro.
As crenças são consolidadas em medo de se ficar só e ansiedade de separação, as estratégias usadas implicam as mudanças de planos, a necessidade de se expressar emocionalmente, a procura de atenção e comportamento disruptivo perante a iminência de um abandono.
É de salientar que também são relatados o evitamento de situações em que se fique só, a necessidade de ter exclusividade em certos relacionamentos, as tentativas de agradar às pessoas e relações assimétricas.
A dependência emocional no relacionamento afetivo apresenta um padrão de comportamento que é similar ao de pessoas dependentes de substâncias de abuso, dado que revelam um desejo incontrolável e compulsivo de estar com a pessoa objeto da sua dependência, bem como revelam sintomatologia de abstinência quando a mesma pessoa não está presente.
Estes fatores condicionam a pessoa visada pela dependência, levando-a a acomodar os desejos e exigências do parceiro dependente, sentirem um vazio emocional, não terem consciência do problema e sentirem-se amarradas ao relacionamento.
A pessoa com dependência emocional sofre de uma necessidade marcada pelo excesso de confiança em terceiros. As suas necessidades físicas e emocionais dependem de pessoas de quem é próxima. Caracteriza-se então por necessidades pervasivas e excessivas de se ser cuidado, as quais levam a um padrão de comportamento de dependência ou submissivo e a medos relacionados com a separação.
Este padrão costuma ter início nas fases iniciais da idade adulta e está presente em vários contextos. Os comportamentos submissos e dependentes visam suscitar cuidados e resultam de uma perceção que o próprio tem de si enquanto incapaz de funcionar adequadamente sem o apoio de terceiros.
As pessoas com dependência emocional têm dificuldades em tomar as normais decisões do quotidiano (como que roupas vestir) sem excessivo aconselhamento e validação por parte de outros. Tendem a ser pessoas passivas e permitindo que outras pessoas (por norma uma pessoa) tomem a iniciativa e assumam responsabilidades pela maior parte das áreas mais importantes da sua vida.
Os adultos com este transtorno dependem habitualmente de um progenitor ou de um cônjuge para decidir onde devem viver, que tipo de ocupação devem ter e com quem manter relações de proximidade. Os adolescentes com o transtorno podem delegar num progenitor todas as decisões relativamente ao que vestir, com quem se relacionar, como passar o tempo livre ou que escola ou universidade frequentar.
Estes indivíduos procuram apoio e validação, pelo que não são capazes de expressar opiniões ou discordância, especialmente face àqueles de quem dependem. Sentem-se incapazes de funcionar sozinhos e tendem a concordar com coisas que lhes parecem erradas ao invés de arriscarem ferir suscetibilidades e perderem a ajuda de quem buscam orientação. Pessoas com este transtorno podem ter muitas dificuldades em iniciar projetos ou trabalhar de forma independente.
Podem chegar ao ponto extremo de se voluntariarem para atividades que não desejam fazer, apenas para obtenção de suporte e validação externos. Podem sentir-se desconfortáveis ou inúteis quando se encontram sós, pelo receio desproporcionado que sentem de terem que cuidar de si próprios.
Esta condição é inflexível, mal-adaptativa e pode causar outras disfunções e stress.
As causas deste transtorno ainda hoje são desconhecidas. Dado que a perturbação surge no início da idade adulta, estima-se que as pessoas que sofreram ansiedade de separação ou doença física crónica na infância ou adolescência têm maior risco de desenvolver TPD.
Refere-se ainda (Zeigler-Hill & Shackelford, 2020) a prevalência dos fatores genéticos no surgimento do transtorno, bem como aspetos socioculturais, tais como a superproteção parental e o autoritarismo parental. Experiências traumáticas precoces também são identificadas como possíveis causadoras do transtorno.
As pessoas com TPD podem não confiar nas suas capacidades para tomar decisões e julgarem que os outros estão mais bem preparados para tal. Podem sentir uma perda ou separação de modo devastador, e podem ser vítimas de abusos para se manterem num relacionamento. Menosprezam-se a si próprios e às suas capacidades, referindo-se frequentemente a si mesmos como “estúpidos” ou “inúteis”.
Como saber se tenho dependência emocional?
O Manual de Diagnóstico e Estatística de Doenças Mentais (DSM-V – APA, 2013) resume os sintomas aos quais deve estar atento. Para saber se sofre de dependência emocional, teste as suas características respondendo às questões abaixo:
- sente dificuldade em tomar decisões no dia-a-dia sem aconselhamento externo;
- tem necessidade que outros controlem áreas essenciais da própria vida;
- tende a concordar instintivamente com os outros, tem dificuldade em discordar por medo de perda ou desaprovação;
- tem falta de confiança, ou avaliação deficitária do próprio, para iniciar as coisas por si mesmo;
- sente necessidade de validação e segurança constantes e apoio por parte dos outros, chegando ao ponto de se voluntariar para fazer coisas que não são do seu agrado;
- sente-se desconfortável, ansioso, aborrecido ou inútil quando sozinho;
- tem necessidade urgente de encontrar alguém após o fim de um relacionamento;
- sofre de ansiedade de separação e medo excessivo de ter que cuidar de si próprio.
As pessoas com TPD devem considerar realizar tratamento de psicoterapia. As terapias cognitivo-comportamentais focam-se nos padrões de pensamento mal-adaptativos, nas crenças subjacentes a tais padrões, e em resolver os sintomas ou traços característicos do transtorno, tal como a incapacidade de tomar decisões ou partilhar o poder nas relações. É um transtorno que frequentemente requer um acompanhamento prolongado.
Na luxuosa clínica The Balance, em Maiorca, Espanha, dispõe de uma extraordinária equipa de profissionais de saúde mental, que possui as necessárias competências para providenciar tratamentos eficazes para os transtornos de personalidade como o TPD.
American Psychiatric Association. (2013). Diagnostic and statistical manual of mental disorders (DSM-V). Arlington: American Psychiatric Publishing.
Bution, D, Muglia-Wechsler, A. (2016). Emotional dependency: a systematic review of literature. Estudos Interdisciplinares em Psicologia 7(1):77-101.
Lemos M, Vásquez AM, Román-Calderón JP. Potential Therapeutic Targets in People with Emotional Dependency. Int J Psychol Res (Medellin). 2019 Jan-Jun;12(1):18-27.
Zeigler-Hill, V., & Shackelford, T. K. (Eds.). (2020). Encyclopedia of Personality and Individual Differences. Springer.
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