A Síndrome de Abstinência, também denominada de Síndrome de Descontinuação ou Síndrome de Privação, acontece quando uma pessoa desenvolve dependência fisiológica de uma substância e cessa ou interrompe o uso daquela substância. A Síndrome de Abstinência pode ter lugar devido à interrupção do consumo de um grande número de substâncias, incluindo o álcool, as drogas ilícitas e as medicações sujeitas a prescrição médica.
De acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico para Transtornos Mentais – 5ª edição (DSM-5), a abstinência de uma substância é caracterizada como “a alteração comportamental problemática específica da substância, com componentes fisiológicos e cognitivos, devido à cessação ou redução no uso pesado e prolongado da substância” (Associação Americana de Psiquiatria, 2013), e na Classificação Internacional de Doenças – 10ª edição (CID-10), como “um conjunto de sintomas com aglomeração e gravidade variáveis, que ocorrem na abstinência absoluta ou relativa de uma substância psicoativa após o uso persistente dessa substância” (OMS, 1993).
O conceito de abstinência pode ser aplicado a múltiplas substâncias causadoras de dependência. A sintomatologia associada à abstinência, ou privação, não é a mesma para todas as substâncias causadoras de dependência. Com efeito, o abuso de álcool possui mecanismos de habituação que produzem síndrome de abstinência diversa daqueles que são produzidos na privação de opiáceos, psicotrópicos ou outras substâncias com outros mecanismos de habituação.
Os efeitos da cessação de consumo de substâncias psicoativas constituem a síndrome de abstinência, cujos sintomas podem ser graves e originar complicações potencialmente fatais.
Na dependência física do álcool, o organismo adapta-se ao consumo repetido. Uma redução rápida pode provocar tremor, sudorese, ansiedade, taquicardia e, em casos graves, convulsões ou delirium. Quem bebe regularmente e apresenta sintomas ao reduzir deve obter avaliação médica antes de tentar parar sozinho.
No que concerne à privação de canabinoides, a sintomatologia mais comum da abstinência é multifatorial: ansiedade, irritabilidade, raiva, heteroagressividade, alterações do sono, humor deprimido e perda de apetite. Alguns sintomas físicos menos comuns incluem arrepios, dores de cabeça, tensão física, sudorese e dor de estômago (Connor et al., 2022).
A síndrome de abstinência de opiáceos é um conjunto de sinais clínicos característicos que incluem hipertensão, taquicardia, midríase, piloereção (“pele de galinha”), lacrimejamento, rinorreia, bocejos, insónia, náuseas, vómitos e diarreia.
Na dependência de anfetaminas, a sintomatologia de privação costuma ser suficientemente grave para causar a recaída no uso de drogas. A prevalência da síndrome de abstinência de anfetaminas é muito comum com cerca de 87% dos utilizadores a reportar sintomas: humor disfórico e dois ou mais sintomas: fadiga, sonhos vívidos ou desagradáveis, insónia ou hipersonia, aumento do apetite e agitação ou retardamento psicomotor. Clinicamente, indivíduos dependentes de anfetaminas em abstinência aguda relatam sentir grave disforia, irritabilidade e melancolia, ansiedade, hipersónia e fadiga acentuada, desejo intenso pela droga e paranoia (Shoptaw et al., 2009).
No que diz respeito aos canabinoides, o início dos sintomas geralmente ocorre 24 a 48 horas após a cessação do consumo e a maioria dos sintomas geralmente atinge o pico entre o segundo e o sexto dia de descontinuação. A duração e a gravidade da abstinência de canábis estão muito associadas à quantidade de canábis consumida antes da cessação, mas podem variar consideravelmente. Em utilizadores pesados, os sintomas de abstinência podem verificar-se durante 2 a 3 semanas ou mais.
Nos opioides, o início e a duração variam com a substância, a formulação, o padrão de consumo e a pessoa. A abstinência de opioides de curta ação tende a começar mais cedo; a de substâncias de ação longa pode começar mais tarde e durar mais. A meia-vida da heroína não é de três a cinco horas, e não existe um prazo universal que indique recuperação ou segurança.
Benzodiazepinas, alguns hipnóticos e antidepressivos podem causar sintomas ao reduzir ou interromper o tratamento. Isto não significa automaticamente adição. Outros psicofármacos também exigem uma estratégia própria de suspensão e vigilância da doença tratada. Não existe um conjunto de sintomas comum a todos; serotonina não é uma medicação que a pessoa deva suspender.
A abstinência de anfetaminas pode incluir fadiga, alterações do sono e do apetite, humor deprimido e desejo intenso. O curso varia, e sintomas de humor ou sono podem persistir durante semanas ou meses. Depressão grave, psicose ou pensamentos de suicídio necessitam de avaliação urgente; não devem ser considerados apenas uma fase a esperar.
A intensidade pode aumentar e depois diminuir, mas nem todas as substâncias ou pessoas seguem fases fixas. O tipo de substância, as doses, o tempo de consumo, outras medicações e as condições físicas e mentais influenciam a evolução.
Antes de reduzir álcool, benzodiazepinas ou outra substância associada a dependência, procure orientação sobre os riscos. Convulsões, confusão intensa, alucinações com desorientação, dificuldade respiratória ou risco imediato de suicídio exigem emergência local: 112 em Portugal, Espanha e na União Europeia. Não espere pela fase mais intensa para pedir ajuda.
Plano médico individualizado: pode ser ambulatório ou em internamento, conforme os riscos. A duração não é fixada em cinco a dez dias; algumas reduções de medicação precisam de semanas ou meses e de ajustes regulares.
Atividade física leve, quando clinicamente adequada, pode apoiar o sono e o bem-estar. Não acelera de forma comprovada a eliminação da substância nem substitui o tratamento de abstinência perigosa.
Alimentação regular pode apoiar a recuperação. Suplementos devem responder a uma necessidade avaliada; na abstinência de álcool, a equipa pode recomendar tiamina para prevenir complicações específicas.
Hidratação: vómitos e diarreia podem causar perda de líquidos e eletrólitos. Beba conforme orientação e procure ajuda se não conseguir reter líquidos. Beber água em excesso não elimina drogas mais depressa nem constitui tratamento para o desejo de consumir.
Higiene do sono – é fundamental estabelecer horários rígidos para adormecer e acordar, reduzir os estímulos sensoriais antes de dormir (não fazer exercício, não ver tv, não usar telemóvel, etc.) e usar técnicas de relaxamento ao deitar. A regulação dos ciclos circadianos desempenha um papel fundamental na prevenção e tratamento das perturbações do sono associadas a consumo de substâncias (Hasler et al., 2012).
Medidas complementares de conforto podem ser consideradas conforme a preferência e a situação clínica. Quiropraxia, massagem ou acupunctura não têm eficácia estabelecida como substitutos do tratamento médico da abstinência ou da adição.
A abstinência de certas substâncias, tais como o álcool e as benzodiazepinas, se não adequadamente tratada por profissionais médicos, pode ser severa ou mesmo fatal. No caso do álcool, a sintomatologia severa pode originar um estado de delirium tremens, o qual pode resultar em convulsões ou morte. Os procedimentos médicos nestes casos são fundamentais para salvar vidas.
A abstinência de opioides pode provocar sofrimento importante e complicações, incluindo desidratação. Após uma pausa, a tolerância diminui e voltar à dose anterior pode causar uma overdose fatal. Metadona ou buprenorfina podem tratar a perturbação por uso de opioides e reduzir riscos; a desintoxicação isolada não é tratamento suficiente.
A avaliação deve ocorrer antes da interrupção sempre que possível, e não apenas no pico dos sintomas. Profissionais de saúde definem o local, os medicamentos e o acompanhamento adequados, incluindo tratamento continuado da perturbação por uso de substâncias quando presente.
Na clínica The Balance, na paradisíaca ilha de Maiorca, em pleno Mar Mediterrânico, os pacientes com o maior grau de exigência poderão beneficiar de um acompanhamento médico integrado com terapias complementares.
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