- O diagnóstico deverá ser realizado por psiquiatra, psicólogo ou, em algumas circunstâncias, pelo clínico geral.
- No contexto clínico das perturbações de ansiedade, é também comum diagnosticar-se a perturbação de pânico.
- Ambas carecem de persistência de sintomas durante mais de 6 meses para que o diagnóstico se confirme.
As Perturbações de Ansiedade encontram-se descritas no DSM-5 (AAP, 2013) e possuem um conjunto de critérios diagnósticos que as distinguem de outras psicopatologias, tais como as alterações do humor, e que por vezes existem em comorbilidade.
São os mais comuns problemas de saúde mental nos países desenvolvidos, tendo sido reportado em 2015 pela Organização Mundial de Saúde que as perturbações de ansiedade ocupam o 6.º lugar entre todas as doenças mentais ou somáticas com maior impacto incapacitante para os pacientes.
O diagnóstico deverá ser realizado por psiquiatra, psicólogo ou, em algumas circunstâncias, pelo clínico geral. No contexto clínico das perturbações de ansiedade, é também comum diagnosticar-se a perturbação de pânico. Ambas carecem de persistência de sintomas durante mais de 6 meses para que o diagnóstico se confirme.
Craske et al. (2011) definem a ansiedade como um estado do humor orientado para eventos futuros, uma preparação para cenários prováveis de natureza negativa ou ameaçadora. Por outro lado, o medo é uma resposta perante um medo iminente, real ou percebido, e que visa preparar fisiologicamente o indivíduo para uma resposta de luta ou de fuga.
Os critérios de diagnóstico clínico encontram-se descritos na Classificação Internacional de Doenças, que Bandelow et al. (2013) resumem do seguinte modo:
- Tensão, preocupações e medos há mais de seis meses a respeito de eventos e problemas do quotidiano, com os seguintes sintomas e sinais:
- manifestações neurovegetativas, como o batimento cardíaco aumentado, diaforese, tremores e boca seca;
- sintomas respiratórias, sensação de aperto no peito, dores no peito, desconforto abdominal;
- sintomas mentais, como tonturas, desrealização, medo de perder o controlo ou de morrer;
- sintomas gerais, como suores frios, afrontamentos e parestesias;
- sintomas de tensão, como tensão muscular, agitação, sensação de corop estranho na garganta;
- sintomas inespecíficos, como reações desproporcionais a sons ou movimentos súbitos, falta de concentração, irritabilidade, insónias.
Os pacientes verbalizam muitas preocupações, medos irracionais de terem acidentes ou que algo de mal lhes aconteça ou aos seus entes queridos. Tendem a adiar ou evitar atividades que percepcionam como perigosas. Preocupam-se também com o facto de estarem constantemente preocupados e possíveis consequências orgânicas, como medo de contraírem úlceras.
A Associação Americana de Psiquiatria (2013) elencou os tipos de ansiedade em diferentes categorias, sublinhando-se porém que em muitos casos estas existem em comorbilidade no mesmo paciente.
Perturbação Generalizada de Ansiedade
Esta perturbação consiste na presença persistente de sintomas que interferem com as atividades do quotidiano. Trata-se de um sentimento de preocupação e tensão constantes, que podem ser acompanhadas de sintomas físicos, como inquietude, irascibilidade, cansaço, dificuldades de concentração, tensão muscular e dificuldades para dormir. As preocupações estão muitas vezes relacionadas com questões laborais, familiares, de saúde ou de menor importância, como as pequenas frustrações do dia-a-dia.
Perturbação de Pânico
Esta perturbação gera tipos de crises de ansiedade que consistem na conjugação avassaladora de sintomas e sinais referidos anteriormente, reações físicas e psicológicas as quais, dada a sua severidade, levam a que muitas pessoas julguem estar a ter um ataque cardíaco ou outro evento potencialmente mortal quando sofrem uma crise de ansiedade.
Fobias específicas
As fobias manifestam-se relativamente a determinadas situações, objetos ou atividades que não são propriamente ameaçadoras. Todavia, o medo sentido em relação às mesmas é de tal modo insuperável, que os pacientes não são capazes de se lhes expor, recorrendo a comportamentos de evitamento.
Agorafobia
Esta perturbação fóbica resulta do medo de tomar parte em situações ou contextos dos quais seja difícil ou embaraçoso sair na eventualidade de uma crise de ansiedade. Acontece em relação a situações que implicam contacto social e espaços frequentados por outras pessoas, tais como os transportes públicos, espaços fechados, multidões ou simplesmente andar na rua. Se não for tratada, a agorafobia pode levar a que o paciente não saia de casa durante longos períodos de tempo.
Perturbação de Ansiedade Social
Caracteriza-se pelo desconforto e ansiedade sentidos de forma significativa por pessoas relativamente à possibilidade de serem embaraçadas, humilhadas, desvalorizadas ou rejeitadas em contextos de interação social. A tendência das pessoas afetadas é assim de evitar tais contextos a todo o custo.
Perturbação de Ansiedade de Separação
O medo da separação relativamente a uma outra pessoa com quem se possui um vínculo afetivo forte, sendo indispensável para o diagnóstico que tal comportamento se verifique fora das faixas etárias em que o mesmo é normativo, designadamente na infância. Os sintomas não se cingem à ansiedade propriamente dita, podendo também coexistir alterações do sono, como pesadelos relacionados com a separação.
Os sintomas de ansiedade dividem-se em tipos ou grupos, consistindo em três áreas distintas que acontecem cumulativamente e em maior ou menor grau consoante a severidade da doença.
São eles os sintomas emocionais, em que a ansiedade é percepcionada como sentimentos de medo, nervosismo, sob pressão, etc. Já os sintomas físicos são manifestações corporais, tais como o ritmo cardíaco ou as náuseas. Os sintomas comportamentais dizem respeito ao modo como os pacientes se comportam, em especial quando os comportamentos são divergentes face ao padrão habitual do indivíduo.
Embora os tratamentos com as vertentes psicoterapêutica e farmacológica em concomitância sejam adequados inicialmente, os tratamentos eficazes caracterizam-se pela sua continuidade no tempo e pela adoção de metodologias educativas dos pacientes.
De acordo com Locke et al. (2015), a escuta ativa e o estabelecimento de uma relação de confiança entre terapeuta e paciente são indispensáveis ao tratamento das perturbações de ansiedade e de pânico. Recomendam-se alterações de estilo de vida, designadamente a remoção de possíveis desencadeadores (como a cafeína, a nicotina, os estimulantes ou o stresse) e a adoção de atividade física e de períodos de descanso reparador.
As intervenções terapêuticas com base na psicoterapia e técnicas de relaxamento mostram igualmente ser eficazes, nomeadamente nas abordagens cognitivo-comportamentais (cfr. Ströhle et al., 2018), cuja eficácia tem sido equiparada às intervenções estritamente farmacológicas.
Estas abordagens podem consistir em técnicas de relaxamento, terapia de exposição, técnicas de respiração, reestruturação cognitiva e educação. São indicadas para pessoas socialmente diferenciadas e com recursos intelectuais que lhes permitam facilmente compreender e aplicar as ferramentas próprias de tais metodologias.
A redução do estresse mediante o exercício de mindfulness tem sido comprovadamente bem-sucedido, demonstrando assim a importância das terapias meditativas na redução da sintomatologia ansiosa.
Os melhores tratamentos estão ao alcance dos clientes mais exigentes na clínica The Balance, com instalações em Maiorca, Londres e Zurique. The Balance é o melhor centro de reabilitação de luxo para recuperação de dependências, transtornos de saúde mental e programas de tratamento em saúde e bem-estar.
O diagnóstico das perturbações de ansiedade deve ser realizado por profissionais de saúde especializados em saúde mental e a sua verificação carece de uma duração temporal relevante e impacto significativo na vida do paciente.
Os tratamentos para os diversos tipos de ansiedade são de base psicoterapêutica, com enfoque no aconselhamento e técnicas de controlo consciente, ainda que os psicofármacos possam ser utilizados em circunstâncias agudas.
Associação Americana de Psiquiatria (AAP, 2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. 5th ed. Washington, DC: American Psychiatric Association; 2013:208–209.
Bandelow B. et al. (2013). The diagnosis and treatment of generalized anxiety disorder. Deutsches Ärzteblatt Int. 2013 Apr;110(17):300-9.
Craske, M. G. et al. What is an anxiety disorder?. Focus 9, 369–388 (2011).
Locke et al. (2015). Diagnosis and Management of Generalized Anxiety Disorder and Panic Disorder in Adults. American Family Physician. 2015;91(9):617-624
OMS. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: World Health Organization; 2017.
Ströhle A. et al. (2018) The Diagnosis and Treatment of Anxiety Disorders. Deutsches Ärzteblatt Int. 2018 Sep 14;155(37):611-620.
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