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Recurso clínico

Depressão Pós-parto

A depressão pós-parto é uma das mais vulgares condições clínicas perinatais e tem um impacto significativo não apenas no bem-estar da puérpera

Revisado clinicamente porDra. Sarah Boss, MD
Residência de pedra com piscina, relvado e palmeiras

Resumo rápido

  • A depressão pós-parto pode surgir durante o primeiro ano após o nascimento, afetando o bem-estar materno, os cuidados ao bebé e o desenvolvimento infantil.
  • Tristeza persistente, culpa, irritabilidade, alterações do sono ou apetite, dificuldade de vinculação e pensamentos suicidas estão entre os possíveis sintomas.
  • A avaliação deve considerar gravidade e riscos imediatos; as opções terapêuticas incluem psicoterapia, antidepressivos, educação, apoio social e hábitos de vida saudáveis.

A depressão pós-parto é uma síndrome depressiva que afeta cerca de 10 a 15 parturientes em cada 100. Apresenta sintomatologia semelhante à perturbação depressiva, incluindo humor deprimido persistente. Sintomas que duram duas semanas ou mais podem indicar depressão, mas sintomas graves exigem avaliação antes disso. 

A depressão pós-parto é relevante, pois dependendo do grau de severidade, a puérpera pode deixar de ter condições para cuidar adequadamente do bebé, inclusive ao nível das tarefas mais fáceis.

A sintomatologia depressiva pode fazer emergir um sentimento de culpa por não se sentir feliz com o recém-nascido. Nem sempre as razões de depressão pós-parto são evidentes. A depressão pós-parto pode surgir com ou sem uma fase prévia de tristeza pós-parto.

A tristeza pós-parto, ou Baby Blues, é uma fase transitória de alterações leves do humor que pode ocorrer nos primeiros dias após o nascimento e costuma melhorar em até duas semanas. É distinta da depressão pós-parto, que pode surgir sem essa fase prévia. 

Este quadro deve-se a uma desregulação hormonal que acontece previamente ao parto, nomeadamente uma subida anómala do estradiol e da progesterona, que sofrem um declínio abrupto após o parto. 

Estas alterações são responsáveis por alterações neuroquímicas de 50 a 75% das mulheres, e produzem alterações do humor durante a primeira semana após o parto (Chechko et al., 2023). A esta fase chama-se Baby Blues, ou tristeza pós parto. 

Embora seja comum que este quadro melhore duas semanas após o parto, há casos de Baby Blues que progridem para um quadro depressivo mais grave, a depressão pós-parto propriamente dita. Esta evolução acontece de modo mais significativo em circunstâncias de défice de apoio social e quando existem fatores de risco prévios.

Os fatores de risco que devem ser alvo de intervenção prévia de modo a tratar a tristeza pós-parto e impedir a sua progressão para um quadro depressivo pós-natal mais pervasivo, são os seguintes:

  • Ansiedade pré-natal;
  • Depressão pré-natal;
  • História pregressa de depressão na puérpera;
  • Historial familiar de depressão;
  • Deficiente apoio instrumental e emocional;
  • Gravidez não planeada;
  • Experiência de confinamento negativa na gestação.

Assim, um adequado tratamento do chamado Baby Blues carece de intervenção prévia ao parto e visa prevenir o agravamento de um quadro que de outro modo é normativo, mas que nas circunstâncias certas pode degenerar num quadro depressivo pós-parto.

Na avaliação da tristeza pós parto ou Baby Blues, é fundamental avaliar a severidade dos sintomas, bem como aferir da existência de ideação suicida, ideias paranóides ou ideação homicida dirigida ao recém-nascido.

O tratamento dos Baby Blues não é particularmente complexo pois o quadro habitualmente resolve-se por si mesmo. De modo a prevenir a transição para uma síndrome depressiva pós-parto, o tratamento envolve validação da puérpera, educação, tranquilização e apoio psicossocial (Balaram & Marwah, 2023).

A depressão pós-parto é uma das mais vulgares condições clínicas perinatais e tem um impacto significativo não apenas no bem-estar da puérpera, como também no do recém-nascido, podendo ter consequências ao nível do seu desenvolvimento intelectual e emocional, bem como outras complicações a longo prazo (Suryawanshi & Pajai, 2022).

Poderá também ser responsável pelo surgimento de outros quadros psicopatológicos na progenitora, designadamente perturbação obsessivo-compulsiva ou perturbação de ansiedade.

O quadro clínico consiste num estado contínuo de consciência caracterizado por sentimentos de tristeza, baixa auto-estima e desalento. De acordo com muitos estudos, o quadro de depressão pós-parto pode surgir no primeiro mês do puerpério e até ao final do primeiro semestre, embora haja também estudos que reconheçam o seu surgimento até ao primeiro ano de vida do bebé. 

No período perinatal podem ocorrer quadros distintos, como tristeza pós-parto, depressão e psicose pós-parto. A depressão também pode começar durante a gestação, com sintomas de intensidade variável, incluindo graves. Para além desta, o já referido Baby Blues, cujos sintomas são similares aos da depressão pós-parto e que afeta cerca de 80% das puérperas. O terceiro tipo é a psicose pós-parto, um quadro mais grave, com uma prevalência muito menor, mas que inclui paranóia, ansiedade, agitação, mania, ideação suicida ou homicida e alucinações para causar dano ao bebé.

A sintomatologia da depressão pós-parto é em muito similar à sintomatologia da perturbação depressiva, com a grande exceção de que aquela acontece após o nascimento de um bebé e é habitualmente precedida de sintomatologia mais leve no período perinatal. Os sintomas da depressão pós parto acontecem em concomitância e são (NIHM, 2010): 

  • Tristeza persistente;
  • Dificuldades de concentração;
  • Dificuldades de memória;
  • Sentimentos de inutilidade e culpa;
  • Irritabilidade;
  • Anedonia;
  • Falta de interesse no auto-cuidado;
  • Insónia;
  • Hipersonia;
  • Falta de apetite ou excesso de apetite;
  • Somatizações – dores de cabeça, dores de peito, palpitações, entorpecimento, hiperventilação;
  • Défice de vinculação com o bebé;
  • Perda de interesse em atividades anteriormente prazerosas;
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

De acordo com Mughal et al. (2022), a depressão pós-parto acontece em resultado de vários tipos de fatores de risco em várias dimensões da vida da puérpera. São as dimensões de fatores de risco que de seguida se analisam:

Fatores de risco psicológicos: 

  • Historial e depressão e ansiedade; 
  • Síndrome pré-menstrual; 
  • Atitude negativa em relação ao bebé; 
  • Rejeição do sexo do bebé;
  • História de abuso sexual.

Fatores de risco obstétrico:

  • Gravidez de risco, que inclui cesariana de emergência e hospitalizações durante a gravidez;
  • Passagem de mecônio; 
  • Prolapso do cordão umbilical;
  • Parto prematuro ou de baixo peso;
  • Baixa hemoglobina.

Fatores de risco social: 

  • Falta de apoio social; 
  • Violência doméstica, sob as formas sexual, física e verbal. 
  • Hábitos tabágicos na gestação.

Fatores ligados ao estilo de vida:

  • Hábitos alimentares;
  • Higiene do sono; 
  • Exercício físico.

Alguns estudos apontam para uma duração da sintomatologia depressiva inferior a um mês numa percentagem significativa de puérperas (Abdelmola et al., 2023). Por outro lado, é sabido que as consequências de uma depressão pós-parto não tratada podem ser duradoras ainda mais para a criança do que para a progenitora (Frieder et al., 2019).

Para a progenitora, a depressão pós-parto sem tratamento pode perdurar meses ou anos. Procure avaliação de um profissional de saúde logo que os sintomas sejam preocupantes, intensos, prejudiquem os cuidados diários ou persistam por mais de duas semanas; não espere dois meses. Confusão intensa, mania, alucinações, delírios, intenção de ferir a si própria ou o bebê, ou impossibilidade de mantê-los em segurança exigem atendimento de emergência imediato.

A persistência no tempo da depressão pós-parto está relacionada com certos fatores já mencionados, sendo que estes podem prolongar a sintomatologia para lá de 3 anos após o nascimento do bebé.

Convém ser mencionada ainda a depressão pós-parto tardia, situação em que a sintomatologia não surge no período de periparto, mas sim algum tempo depois, sendo documentados inúmeros casos de aparecimento de sintomas entre dois meses a seis meses depois do parto (Tebeka et al., 2020).

Os tratamentos para a depressão pós-parto podem ser diversos e distintos, estando razoavelmente consolidada junto da comunidade científica e médica a sua eficácia (Gjerdingen, 2003).

As diferentes opções terapêuticas incluem psicoterapia individual ou de grupo e terapia farmacológica antidepressiva conjugadas. Os fármacos paroxetina, sertralina e nortriptilina estão entre os medicamentos antidepressivos mais amplamente estudados para os quais não foram identificados efeitos adversos em lactentes. 

Outros tratamentos promissores no tratamento da depressão pós-parto incluem terapia de reposição de estrogénio, visitas domiciliares por profissionais de saúde e psicoterapias de grupo. 

Quaisquer que sejam as opções de tratamento, este deverá contemplar a educação da puérpera sobre a doença, sobre o tratamento específico escolhido e sobre outros mecanismos de promoção da saúde, como suporte social e estilos de vidas saudáveis. 

Na clínica de luxo The Balance poderá reabilitar-se no seu puerpério com as melhores condições possíveis. A estrutura de cuidados de que dispomos na inconfundível ilha de Maiorca, Espanha, visa satisfazer as necessidades e exigências de clientes merecedores dos melhores e mais avançados tratamentos com os mais bem preparados profissionais de saúde.

Evidência editorial

Evidência e fontes

Orientações clínicas selecionadas, pesquisas revisadas por pares e fontes de saúde pública utilizadas neste artigo.

01Abdelmola AO, et al. Prevalence and Factors Associated with Maternal Postpartum Depression among Mothers in Saudi Arabia: A Cross-Sectional Study. Healthcare (Basel). 2023 Jan 25;11(3):343.
02Balaram K, Marwaha R. Postpartum Blues. 2023 Mar 6. Em: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023 Jan–.
03Chechko N, Stickel S, Votinov M. Neural responses to monetary incentives in postpartum women affected by baby blues. Psychoneuroendocrinology. 2023 Feb;148:105991.
Ver todas as 9 fontesMostrar menos fontes
04Frieder A, Fersh M, Hainline R, Deligiannidis KM. Pharmacotherapy of Postpartum Depression: Current Approaches and Novel Drug Development. CNS Drugs. 2019 Mar;33(3):265-282.
05Gjerdingen D. The effectiveness of various postpartum depression treatments and the impact of antidepressant drugs on nursing infants. J Am Board Fam Pract. 2003 Sep-Oct;16(5):372-82.
06National Institute for Healthcare Management (2010). Identifying and treating maternal depression: Strategies and considerations for health plans. Consultado em em abril de 2023.
07Suryawanshi O 4th, Pajai S. A Comprehensive Review on Postpartum Depression. Cureus. 2022 Dec 20;14(12):e32745.
08Tebeka S, Le Strat Y, Mandelbrot L, et al. Early and late postpartum depression exhibit distinct correlates: the IGEDEPP prospective cohort study. Authorea. June 11, 2020.
09Umboh SJ, How CH, Chen H. Postnatal depression: a family medicine perspective. Singapore Med J. 2013 Sep;54(9):477-9; quiz 480-1.
O que está incluído
01

Contexto clínico

Informações claras são apresentadas no contexto de quadros clínicos complexos e concomitantes.

02

Fatores individuais

A avaliação continua essencial, porque as necessidades e os riscos variam de pessoa para pessoa.

03

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