Liderança & conversas no trabalho
Gerir com curiosidade e expectativas claras
Prepare melhor as conversas de trabalho: descreva observações, esclareça responsabilidades, ouça o contexto e mantenha claros os limites profissionais.
Steve Preda entrevista Abdullah Boulad, de THE BALANCE, no Management Blueprint. O veículo oficial disponibiliza o link para o vídeo incorporado acima.
Quem ocupa uma função de gestão pode ter curiosidade sobre as pessoas e, ao mesmo tempo, manter a clareza sobre o trabalho. Essa combinação oferece um ponto de partida útil para a conversa do Management Blueprint entre Steve Preda e Abdullah Boulad, da THE BALANCE. A entrevista original está disponível no vídeo incorporado e no link da publicação acima.
Para quem lidera uma equipe, a questão prática é como ter uma conversa útil quando algo não está claro ou não funciona conforme o esperado. A resposta começa pelos acontecimentos observáveis, pelas responsabilidades envolvidas e pela disposição para ouvir informações que talvez você ainda não tenha.
As reflexões abaixo se concentram nas decisões de gestão e na comunicação. Elas oferecem maneiras de perguntar sobre o contexto sem interpretar a personalidade de alguém da equipe nem atuar como terapeuta dessa pessoa. Uma conversa clara pode respeitar a pessoa, examinar a organização do trabalho e terminar com uma descrição compreensível do que cada participante fará a seguir.
Quatro perguntas para se preparar
O que de fato observei, independentemente da minha interpretação?
Qual expectativa ou responsabilidade pode precisar de uma explicação mais clara?
Que informações a outra pessoa poderia acrescentar que eu ainda não tenho?
Que acordo prático tornaria a próxima etapa do trabalho mais compreensível?
Comece por um acontecimento que você possa descrever
Antes de uma conversa difícil, anote o acontecimento específico que a motivou. Um relatório chegou depois da data combinada, uma decisão ficou pendente ou uma passagem de trabalho deixou alguém sem informações necessárias. Descreva o que aconteceu e seu efeito sobre o trabalho, sem atribuir uma motivação.
Verifique se a expectativa foi realmente acordada. Um prazo que você tinha em mente pode não ter sido comunicado, e um padrão familiar para você pode ser novo para outra pessoa. Consulte a orientação ou a discussão pertinente antes de tratar seu próprio entendimento como um fato compartilhado.
Escolha um assunto que possa ser tratado na conversa. Reunir todas as frustrações dos últimos meses pode dificultar a identificação de um próximo passo útil. Comece pelo acontecimento mais importante e explique por que ele precisa de atenção agora.
Ao falar, deixe espaço para correções. Você pode dizer o que entendeu e perguntar se falta algo nesse relato. Isso não exige evitar responsabilidades nem minimizar um problema real. Cria uma base mais precisa para discuti-lo. Uma descrição clara permite que ambas as pessoas examinem a mesma situação, em vez de se defenderem de um julgamento amplo sobre caráter, comprometimento ou capacidade.
Pergunte sobre a organização do trabalho
Explore as condições em que se esperava que o trabalho fosse realizado. Pergunte sobre prioridades concorrentes, informações ausentes, dependências e decisões que exigiam a contribuição de outra pessoa. Essas perguntas podem revelar se a organização do trabalho era tão viável quanto parecia do seu ponto de vista.
Preste atenção às diferenças entre a responsabilidade atribuída e a autoridade efetiva. Uma pessoa pode responder por um resultado sem ter condições de tomar uma decisão necessária. Nesse caso, esclareça quem tem essa autoridade e como a decisão deve ser solicitada ou encaminhada a uma instância superior.
Considere as passagens de trabalho relacionadas à tarefa. Quando a pessoa recebeu as informações? O formato esperado estava claro? Outra equipe alterou os requisitos? Um relato útil inclui a sequência dos acontecimentos, para que você possa distinguir um problema recorrente de processo de uma dificuldade isolada.
Pergunte o que, na avaliação da pessoa, tornaria o trabalho mais viável e, em seguida, avaliem a sugestão em conjunto. Ela pode perceber um ajuste prático que passou despercebido por você. Talvez você também precise explicar restrições que ela não consegue ver. O objetivo é compreender suficientemente a organização do trabalho para tomar uma decisão específica a respeito. Mantenha a discussão ligada ao trabalho, em vez de buscar uma explicação pessoal antes de examinar as condições práticas.
Torne as expectativas concretas o suficiente para serem seguidas
Uma orientação como melhorar a comunicação deixa muitas decisões implícitas. Descreva quais informações são necessárias, quem precisa delas, quando devem chegar e qual formato seria útil. Expectativas concretas permitem que a outra pessoa avalie se o que foi combinado é realista.
Verifique o entendimento por meio de um breve resumo. Peça a cada pessoa que explique sua parte no acordo, incluindo qualquer dependência de outra pessoa. Isso pode revelar diferenças enquanto ainda há tempo para esclarecê-las. Um registro escrito após a conversa é especialmente útil quando várias pessoas compartilham a responsabilidade.
Diferencie requisitos essenciais de preferências pessoais. Um prazo regulatório, um compromisso com um cliente e o estilo de documento que você prefere têm implicações diferentes. Explique a razão de um requisito para que a equipe possa compreender onde há flexibilidade e onde não há.
Se houver conflito entre prioridades, assuma a responsabilidade por resolvê-lo no nível adequado. Pedir a alguém que trate todas as tarefas como urgentes deixa a decisão central sem resposta. Declare qual resultado tem precedência e o que deve acontecer com o trabalho restante. As expectativas ganham credibilidade quando incluem o tempo, as informações e a autoridade necessários para atendê-las. Reveja o acordo se essas condições mudarem, em vez de cobrar de alguém o cumprimento de um plano que já não corresponde à situação.
Considere um relatório que chega atrasado porque a pessoa responsável por sua elaboração está aguardando dados de outra equipe. A conversa pode esclarecer quando esses dados foram solicitados, quem poderia autorizar uma alternativa e com que antecedência a pessoa destinatária precisava ser avisada. O próximo acordo poderia prever uma solicitação mais antecipada, um contato definido para encaminhar a questão a uma instância superior e uma versão preliminar enquanto os dados continuarem pendentes. Isso dá a cada pessoa uma ação definida. Também cria algo concreto para revisar após o próximo prazo, em vez de deixar quem elabora o relatório com uma orientação genérica para se comunicar melhor e a mesma dependência não resolvida. Pergunte a todas as pessoas envolvidas se a sequência proposta é viável e foi compreendida antes de considerá-la acordada.
Mantenha os relatos pessoais dentro de limites adequados
Uma pessoa da equipe pode optar por mencionar uma dificuldade pessoal durante uma conversa de trabalho. Ouça com respeito e pergunte que apoio prático ela está solicitando em relação ao trabalho. Evite insistir em detalhes íntimos desnecessários para discutir a organização do trabalho.
Explique seu papel e os recursos disponíveis na organização. Quando pertinente, envolva o contato adequado de recursos humanos ou saúde ocupacional, de acordo com os processos estabelecidos. Não prometa um arranjo, uma regra de confidencialidade ou uma adaptação que você não tenha autoridade para oferecer.
Mantenha as observações de gestão separadas de especulações sobre saúde. O descumprimento de um prazo não estabelece um diagnóstico, e um relato pessoal não explica todos os aspectos do desempenho de alguém. Concentre-se na questão de trabalho, permitindo que a conversa apropriada sobre apoio ocorra pelos canais adequados.
Pergunte como a pessoa prefere que as informações práticas sejam comunicadas, dentro das responsabilidades da organização. Se outros colegas precisarem saber de uma mudança de horário, esclareça o que deve ser compartilhado e por quem. Limites respeitosos tornam a situação mais fácil de conduzir para todas as pessoas envolvidas. Quem exerce a gestão pode oferecer informações claras e coordenação prática sem assumir o controle da vida privada da pessoa nem apresentar conselhos pessoais como cuidado profissional.
Lide com as divergências sem transformá-las em uma disputa
Duas pessoas podem interpretar de maneiras diferentes o mesmo acontecimento no trabalho. Uma pode enxergar uma solicitação razoável; a outra, uma mudança feita tarde demais para ser atendida. Peça a cada pessoa que descreva a sequência e o efeito a partir de seu ponto de vista antes de decidir o que precisa mudar.
Identifique primeiro o ponto de concordância. Ambas podem desejar uma passagem de trabalho confiável, mesmo que discordem sobre o que a impediu. Use esse propósito compartilhado para formular a questão prática: que informação ou decisão tornaria a próxima passagem de trabalho mais clara?
Seja direto ao falar da sua própria contribuição. Se uma orientação chegou tarde, uma prioridade mudou sem explicação ou uma preocupação ficou sem resposta, reconheça essa parte da situação. Isso fornece informações relevantes e ajuda a manter a responsabilização específica, em vez de unilateral.
Quando uma divergência não puder ser resolvida na reunião, indique o que acontecerá a seguir. Você pode precisar da contribuição de outra pessoa, de um esclarecimento sobre uma política ou de uma decisão de alguém com a autoridade pertinente. Defina um encaminhamento e uma pessoa responsável pela questão. Evite deixar que os participantes continuem o conflito por mensagens informais. Um processo claro pode preservar a relação de trabalho enquanto a questão pendente recebe a atenção necessária.
Dê continuidade ao que foi de fato acordado
Encerre a conversa resumindo as decisões. Identifique a ação, a pessoa responsável, o prazo e qualquer apoio necessário. Mantenha as questões pendentes separadas para que não sejam confundidas com acordos. Envie um registro escrito conciso quando isso ajudar todos a trabalhar com o mesmo entendimento.
Escolha um momento de revisão adequado à tarefa. O objetivo é verificar se o que foi combinado funcionou e se é necessário outro ajuste. Pergunte sobre o resultado prático, em vez de apenas confirmar que a conversa aconteceu.
Cumpra seus próprios compromissos. Se você prometeu uma decisão, uma informação ou um recurso, providencie o que prometeu ou explique prontamente o obstáculo. A confiabilidade de quem exerce a gestão faz parte da organização do trabalho que está sendo revista, assim como as responsabilidades da equipe.
Ao longo do tempo, use essas conversas para identificar questões organizacionais recorrentes. As prioridades costumam ser pouco claras? Várias equipes aguardam a mesma decisão? Leve os padrões identificados ao nível em que possam ser tratados. A curiosidade se torna uma ferramenta útil de gestão quando leva a uma compreensão melhor e a ações específicas. O objetivo é um ambiente de trabalho em que as pessoas possam explicar o que se espera delas, apresentar uma preocupação prática e saber como uma questão pendente será tratada.
