Reflexão & desenvolvimento pessoal
Abrindo espaço para questionar uma crença habitual
A autorreflexão se torna útil quando leva a uma pergunta específica, a um teste justo e a uma decisão que deixa espaço para novas informações.
Mark Sephton entrevista Abdullah Boulad, fundador de THE BALANCE, nesta coluna de colaborador. O veículo credita a edição a Aby Sam Thomas.
A coluna de Mark Sephton como colaborador na Entrepreneur Middle East, publicada em novembro de 2023, inclui uma conversa com Abdullah Boulad sobre autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. O tema convida a uma pergunta prática: como examinar uma crença habitual sem transformar a reflexão em mais uma forma de autocrítica? Um ponto de partida útil é tratar a crença como algo que pode ser descrito e questionado, e não como uma afirmação definitiva sobre quem você é.
As suposições do dia a dia frequentemente aparecem como regras: preciso responder imediatamente, eu já deveria saber ou pedir ajuda significa que fracassei. Algumas regras podem ter uma finalidade em determinadas circunstâncias. Outras podem ter permanecido muito depois de seu contexto original ter mudado. Este editorial explora uma maneira ponderada de examiná-las. O objetivo é tornar uma escolha específica mais criteriosa, mantendo a avaliação de saúde e as decisões de tratamento sob a responsabilidade de profissionais devidamente qualificados, em vez de tratar a autorreflexão como substituta do cuidado.
Quatro perguntas para se preparar
Que regra habitual parece estar influenciando uma decisão que você está tomando agora?
Que experiência sustenta essa regra e que informações relevantes poderiam torná-la menos simples do que parece?
Como você poderia testar uma abordagem diferente por meio de uma escolha pequena, adequada e reversível?
O que você aprenderia com o resultado sem transformá-lo em um julgamento sobre seu valor pessoal?
Escreva a crença de uma forma que você possa examinar
Uma sensação vaga de inadequação pode ser difícil de discutir. Uma regra específica é mais fácil de questionar. Pense em uma decisão recente e complete uma frase como: eu acreditava que precisava fazer isso porque, caso contrário, algo aconteceria. Use um exemplo cotidiano e concreto. Talvez você tenha aceitado mais uma tarefa porque presumiu que recusar decepcionaria alguém.
Depois, separe a situação da interpretação. A situação pode ser que alguém da equipe tenha pedido ajuda. A interpretação pode ser que essa pessoa passará a ter uma opinião pior a seu respeito se você não puder responder imediatamente. São tipos diferentes de informação. Um descreve um acontecimento; o outro descreve uma previsão que talvez precise ser verificada.
Para fazer um registro simples, use quatro linhas curtas: a crença, a escolha que ela influenciou, as informações que você verificou e a decisão que tomou. Isso pode manter o exercício focado quando a reflexão, de outro modo, se torna repetitiva. Você pode escrever que esperava que uma solicitação fosse urgente, perguntou sobre o prazo, descobriu que seria aceitável responder amanhã e combinou responder nesse momento. O exemplo não demonstra que toda solicitação pode esperar. Ele estabelece algo útil sobre essa solicitação e sugere uma pergunta que vale a pena fazer em circunstâncias semelhantes. Manter a conclusão proporcional faz parte do exercício. Uma nova crença pode se tornar tão rígida quanto a antiga se for tratada como uma regra que deve sempre se aplicar. Permita que o registro preserve o contexto, incluindo as situações em que uma ação imediata ou uma resposta diferente ainda seria adequada. O contexto importa ao decidir se um hábito diferente é de fato útil.
Essa distinção não prova que a previsão esteja errada. Ela oferece uma pergunta mais clara. O que você realmente sabe sobre a expectativa dessa pessoa? O prazo foi discutido? Existe uma maneira de responder com honestidade e, ao mesmo tempo, oferecer uma alternativa realista? Uma crença se torna mais fácil de trabalhar quando pode ser explorada por meio de detalhes, em vez de ser defendida como uma regra inquestionável ou rejeitada como uma falha pessoal.
Procure o contexto em que a regra se desenvolveu
Algumas suposições têm origens compreensíveis. Uma resposta rápida pode ter sido essencial em uma função anterior, ou o hábito de fazer tudo por conta própria pode ter ajudado durante um período com pouco apoio. Reconhecer esse contexto pode tornar a análise mais equilibrada. Você pode reconhecer o que a regra ajudou a realizar no passado e, ao mesmo tempo, perguntar se ela se ajusta à situação atual.
Escreva o que mudou. Talvez você agora trabalhe com uma equipe maior, tenha responsabilidades diferentes ou precise considerar as preferências de outra pessoa. Uma regra criada para uma determinada configuração pode exigir ajustes em outra. A questão não é se sua escolha anterior foi insensata. É se a mesma escolha continua adequada diante das informações e circunstâncias disponíveis agora.
Evite exigir de si uma explicação completa do seu passado antes de considerar um próximo passo prático. Você pode não saber exatamente quando uma crença começou, e essa incerteza não precisa impedir uma conversa útil. Comece pelo que você consegue observar hoje. Se a reflexão trouxer preocupações que pareçam difíceis de administrar, um profissional qualificado pode ajudar a explorá-las em um ambiente apropriado. O exercício não deve se tornar uma exigência de resolver todas as questões pessoais sem ajuda.
Reúna informações que possam mudar sua perspectiva
Quando uma crença parece familiar, pode ser fácil perceber apenas os exemplos que se encaixam nela. Faça um esforço deliberado para identificar exceções relevantes. Se você presume que toda solicitação exige uma resposta imediata, lembre-se de ocasiões em que uma resposta posterior foi aceita. Pergunte o que havia de diferente nessas situações e se as mesmas condições poderiam se aplicar agora.
Você também pode pedir esclarecimentos à pessoa envolvida. Uma pergunta simples sobre prazos ou expectativas pode fornecer informações melhores do que imaginar repetidamente a reação dela. Explique a questão prática sem exigir que a pessoa avalie toda a sua percepção de si. Por exemplo, pergunte se uma resposta amanhã atenderia às necessidades dela ou se outra pessoa da equipe pode assumir a decisão.
Considere a qualidade dos comentários recebidos, assim como seu impacto emocional. Um exemplo específico pode ser examinado; um julgamento abrangente pode exigir esclarecimentos. Pergunte o que aconteceu, que efeito isso teve e que mudança seria útil. Você não precisa aceitar todas as interpretações que lhe apresentam. O objetivo é reunir informações relevantes suficientes para fazer uma escolha mais ponderada, incluindo informações que sustentem, relativizem ou questionem a crença original.
Faça um pequeno experimento com uma pergunta clara
Escolha um comportamento cotidiano que seja adequado reconsiderar e que não envolva mudar os cuidados médicos ou ignorar uma responsabilidade importante. Defina a pergunta que o experimento vai testar. Talvez você queira descobrir se uma reunião pode acontecer sem sua presença ou se um prazo de resposta bem definido funciona tão bem quanto a disponibilidade constante.
Combine todos os ajustes que afetem outras pessoas. Se estiver delegando, forneça as informações e a autoridade necessárias. Se estiver mudando sua disponibilidade, explique como os assuntos urgentes serão tratados. Isso dá à abordagem alternativa uma oportunidade justa de funcionar. Um experimento que retira silenciosamente um apoio essencial pode testar uma organização mal preparada, e não a crença que você pretendia examinar.
Estabeleça um momento razoável para revisar a experiência e decida o que vai observar. A tarefa foi concluída? A outra pessoa teve o que precisava? O que exigiu esclarecimentos? O resultado pode sugerir uma organização diferente ou confirmar que a abordagem original continua útil nesse contexto. Qualquer um dos resultados pode acrescentar informações. O experimento tem valor porque ajuda você a aprender, e não porque precisa produzir a resposta que esperava encontrar.
Mantenha os valores separados de instruções rígidas
Um valor descreve algo que você deseja honrar, como confiabilidade, cuidado ou justiça. Uma instrução rígida descreve uma maneira pela qual você acredita que esse valor deve se manifestar. A confiabilidade pode se transformar na regra de que você precisa estar sempre disponível. O cuidado pode se transformar na regra de que você precisa resolver todos os problemas por conta própria. Pergunte se outras ações poderiam expressar o mesmo valor de maneira mais adequada.
Para a confiabilidade, um prazo claro e uma atualização precisa podem ser mais relevantes do que uma resposta imediata. Para o cuidado, ouvir o que alguém realmente está pedindo pode ser mais útil do que assumir o controle. Essas alternativas não abandonam o valor. Elas exploram como ele pode ser expresso na situação atual, sem presumir que exista apenas um comportamento aceitável.
Essa distinção pode ajudar quando vários valores entram em conflito. Você pode querer apoiar alguém da equipe e, ao mesmo tempo, manter um compromisso com sua família. Em vez de concluir que uma preocupação prova que a outra não é sincera, descreva o conflito e considere uma solução viável. Uma escolha ponderada pode reconhecer responsabilidades concorrentes e ainda assim ser clara. O autoconhecimento se torna prático quando ajuda você a identificar o que precisa ser conciliado, em vez de esconder isso por trás de uma regra absoluta.
Revise o aprendizado com um critério justo
Depois de experimentar uma abordagem diferente, descreva o que aconteceu antes de decidir o que isso significa. Registre o resultado, as informações que obteve e as perguntas que permanecem. Se o resultado foi decepcionante, considere se a abordagem, a preparação, o momento ou a suposição subjacente precisam ser reexaminados. Evite transformar uma tentativa em uma conclusão permanente sobre sua capacidade de mudar.
Pergunte o que você aconselharia a outra pessoa que tivesse feito o mesmo esforço. Isso pode ajudar você a perceber se o critério que aplica a si se tornou mais severo do que aquele que usa em uma conversa cotidiana. Uma análise justa pode incluir a responsabilidade por um erro e o reconhecimento do que foi aprendido. Nenhum dos dois exige exagerar o sucesso ou minimizar a dificuldade.
Questionar uma crença é uma forma de abrir espaço para informações e escolhas. Isso não exige rejeitar todos os hábitos familiares nem se reinventar continuamente. Comece com uma regra que afete uma decisão real, examine seu contexto e experimente um próximo passo adequado. O resultado pode ser uma relação mais ponderada com as suposições que orientam a vida cotidiana.
Participação em destaque
Abdullah Boulad
Fundador de THE BALANCE; entrevistado na fonte
Conheça Abdullah Boulad