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Identidade & mudança

Encontrar continuidade quando a vida muda de rumo

Uma entrevista com um fundador convida à reflexão sobre identidade, mudanças de prioridades e as relações e rotinas cotidianas que podem preservar o sentido entre diferentes capítulos da vida.

Publicação originalLeia a cobertura original
Square MileEntrevista com o fundador

Abdullah Boulad: Life Is Not a Goal but an Ongoing Reflection

Entrevista de Maeve Ryan · Atualização: 18 de abril de 2024 · Publicação: 16 de abril de 2024 · Inglês

Maeve Ryan entrevista Abdullah Boulad, fundador e CEO de THE BALANCE Healthcare Group, sobre mudanças em sua vida e em suas prioridades.

A entrevista de Maeve Ryan com Abdullah Boulad para a Square Mile, publicada em abril de 2024, traz reflexões sobre uma vida moldada por mudanças nas circunstâncias e nas prioridades. O perfil de quem fundou uma empresa pode suscitar uma pergunta que vai além dos negócios: como preservar um senso de continuidade quando um papel, uma ambição ou um rumo familiar já não descreve a vida que você está vivendo?

A mudança nem sempre chega como uma ruptura nítida. Uma pessoa pode estar deixando um cargo enquanto ainda se importa com o trabalho, assumindo a responsabilidade por alguém enquanto sente falta da liberdade de antes, ou reconsiderando um objetivo que antes lhe dava direção. Este editorial explora como pensar nessas transições sem exigir de imediato uma nova identidade. Na prática, esse processo muitas vezes envolve reconhecer o que continua sendo significativo, abrir espaço para rotinas desconhecidas e explicar as mudanças a outras pessoas. Um novo capítulo pode se desenvolver por meio de escolhas cotidianas antes de ganhar uma narrativa segura ou um nome conveniente.

Quatro perguntas para se preparar

  1. Quais aspectos de um papel familiar ainda importam para você, mesmo que esse papel esteja mudando?

  2. Quais relações, compromissos ou atividades proporcionam continuidade para além do trabalho e das conquistas públicas?

  3. Quais expectativas precisam ser discutidas com outras pessoas, em vez de serem mantidas em silêncio?

  4. Que pequeno próximo passo ajudaria você a explorar um novo rumo sem exigir uma resposta definitiva?

Descreva mais do que o papel que está mudando

Quando um papel ocupa grande parte da vida, ele pode se tornar a resposta mais rápida à pergunta sobre quem você é. Uma transição pode fazer essa resposta parecer incompleta. Experimente descrever os diferentes aspectos da sua vida sem organizá-los em uma hierarquia. Você pode ser colega de trabalho, mãe ou pai, uma pessoa amiga, alguém que aprende, alguém da vizinhança ou uma pessoa que se importa com determinada atividade ou comunidade.

O objetivo não é provar que o papel em transformação nunca importou. Ele pode ter proporcionado relações significativas, estrutura ou um senso de contribuição. Identificar o que ele ofereceu ajuda a explicar por que a transição merece atenção. Isso também revela quais aspectos podem continuar de outra forma e quais perdas precisam ser reconhecidas, em vez de imediatamente substituídas.

Escolha um elemento que você deseja levar adiante. Se a mentoria era importante, talvez existam maneiras de continuar oferecendo sua perspectiva sem manter o mesmo cargo. Se a colaboração era importante, um novo projeto ou uma comunidade pode proporcionar outro contexto para ela. Essas são possibilidades a explorar, não instruções para preencher rapidamente todos os espaços. A continuidade pode começar pelo reconhecimento de uma atividade valorizada, antes de decidir exatamente onde ela se encaixará.

Permita que o capítulo anterior mantenha sua complexidade

Um período da vida pode conter conquistas, dificuldades, gratidão e arrependimento. Você não precisa escolher uma única interpretação antes de seguir em frente. Um papel pode ter sido valioso e exigente. A decisão de deixá-lo pode ser adequada e, ainda assim, trazer tristeza. Manter essa complexidade em vista pode tornar a reflexão mais precisa do que transformar o passado em um erro ou em um ideal.

Escreva sobre uma experiência específica, em vez de julgar o capítulo inteiro. O que você aprendeu? O que valorizou? O que faria de outra forma hoje? Essas perguntas podem revelar informações úteis sem exigir um veredito final. Também ajudam a separar a responsabilidade por uma decisão específica de um julgamento amplo sobre a pessoa que você era naquela época.

A continuidade também pode estar presente em relações cuja finalidade muda ao longo do tempo. Uma antiga relação de trabalho pode se tornar uma amizade, uma relação de mentoria pode dar lugar à colaboração, ou uma atividade compartilhada pode continuar sendo significativa depois que o papel que aproximou vocês chegou ao fim. Considere quais relações você deseja manter e que forma de contato pareceria natural agora. Não é necessário continuar recriando o antigo contexto para preservar o vínculo. Um convite simples ou uma conversa honesta sobre a mudança pode bastar para iniciar uma nova forma de se relacionar. Ao mesmo tempo, permita que algumas relações se tornem menos frequentes sem tratar cada mudança como um fracasso. O objetivo é perceber onde ainda há desejo de manter o vínculo e abrir espaço para ele de forma deliberada. Isso pode criar uma ligação entre o presente e o passado, preservando a liberdade de ambas as pessoas para desenvolver interesses e responsabilidades além do papel original que as aproximou em um período anterior e diferente da vida.

Se outras pessoas descrevem a transição de maneira diferente, pergunte o que essa perspectiva acrescenta. Uma pessoa do trabalho pode notar uma contribuição que você não percebeu, enquanto alguém da família pode se lembrar de uma responsabilidade que era mais difícil do que você imaginava. É possível ouvir sem aceitar toda interpretação como completa. O objetivo é construir um relato mais abrangente da experiência, que dê espaço a várias verdades e sustente as decisões que você está tomando agora.

Organize um dia antes de definir todo o futuro

Uma grande questão sobre propósito pode se tornar mais fácil de abordar por meio de um dia comum. O que precisa de um espaço regular na sua semana agora? Considere as responsabilidades práticas, as relações, o aprendizado e as atividades que você valoriza. Comece com uma organização viável, em vez de esperar por um plano completo de longo prazo para sentir que a vida cotidiana tem legitimidade.

Parte da estrutura pode vir de compromissos que já existem. Outros elementos talvez precisem ser escolhidos. Você pode combinar uma conversa regular, participar de uma atividade recorrente ou reservar tempo para investigar um possível rumo. A escolha deve se adequar às suas circunstâncias e deixar flexibilidade suficiente para aprender com a experiência. Ela não precisa provar que a transição já produziu uma versão melhor da sua vida.

Observe quais atividades você aprecia por si mesmas e quais realiza principalmente para criar uma narrativa convincente de progresso. Essa distinção pode ser desconfortável, mas pode ser útil. Uma atividade não precisa se tornar um projeto, uma qualificação ou um marco público para merecer tempo. Durante uma transição, a simples participação pode fornecer informações sobre o que desperta seu interesse antes de se tornar a base de um compromisso maior.

Explique a mudança em termos que outras pessoas possam usar

As pessoas ao seu redor podem continuar se orientando por uma versão anterior do seu papel. Alguém com quem você trabalhava pode solicitar decisões que já não cabem a você, ou uma pessoa da família pode presumir que sua disponibilidade mudou de uma forma que vocês não discutiram. Uma explicação clara pode ajudá-las a entender o que está diferente e o que continua sendo importante.

Concentre-se nas expectativas práticas. Quais responsabilidades continuam? Quais foram transferidas? Que tipo de contato é bem-vindo e o que precisa de um novo acordo? Você não precisa apresentar um relato pessoal completo a todas as pessoas. Cada uma pode precisar de informações diferentes, dependendo de sua relação com a mudança.

Com alguém próximo, também pode ser útil explicitar a incerteza. Você pode explicar que está explorando opções e que gostaria de conversar sem a pressão de anunciar um plano definitivo. Esse pedido mostra à outra pessoa como apoiar o processo. Se ela tiver preocupações, abra espaço para ouvi-las, especialmente quando responsabilidades compartilhadas forem afetadas. Uma transição se torna mais fácil de coordenar quando suas implicações práticas são discutidas, em vez de deduzidas apenas a partir de um anúncio.

Explore possibilidades sem tornar cada escolha permanente

Um rumo desconhecido pode ser testado por meio de um pequeno compromisso. Você pode participar de uma sessão introdutória, contribuir para um projeto de escopo limitado ou conversar com alguém que conheça uma área que você está considerando. Defina o que espera aprender com a experiência. A curiosidade é um propósito suficiente para uma investigação inicial; ela não exige a certeza de que o novo rumo se tornará sua próxima identidade.

Mantenha a dimensão da experiência adequada à pergunta. Se você quer saber se uma atividade desperta seu interesse, comece participando, em vez de assumir um grande compromisso. Se estiver considerando um papel que afete outras pessoas, discuta as responsabilidades e as implicações práticas antes de decidir. Uma exploração cuidadosa inclui as condições nas quais a escolha precisaria funcionar.

Depois, registre o que chamou sua atenção e o que não chamou. A experiência correspondeu à sua expectativa? O que você precisaria entender antes de continuar? Talvez descubra que apenas parte da ideia lhe interessa. Essa é uma informação útil. Permitir que uma opção se torne mais específica pode ser mais valioso do que forçá-la a uma conclusão simplista de que você encontrou seu propósito ou não conseguiu encontrar nada.

Deixe que a continuidade inclua a possibilidade de reconsiderar

Reserve um momento para rever a transição sem exigir que ela produza um julgamento definitivo sobre sua vida. Considere o que ficou mais claro, quais responsabilidades estão definidas e o que ainda precisa de atenção. Você pode decidir continuar explorando, fortalecer um compromisso existente ou mudar um acordo que não esteja cumprindo sua finalidade.

Se a incerteza ou o sofrimento estiver dificultando a vida cotidiana, considere conversar com um profissional qualificado. Você pode descrever a experiência real sem chegar com uma explicação ou um rótulo. É possível buscar apoio enquanto o rumo mais amplo ainda está em aberto, e não apenas depois de descobrir como apresentar a transição de maneira bem organizada.

Um senso de continuidade não exige que todos os capítulos sejam iguais. Ele pode vir de valores, relações e formas de participação que permanecem reconhecíveis enquanto os papéis mudam. Dê a esses elementos um espaço concreto no presente. O próximo rumo pode se tornar mais claro por meio da vida que você constrói ao redor deles, uma decisão e uma conversa cotidiana de cada vez.

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